Quando ouvi a primeira vez “Palo Congo” percebi uma peculiaridade no som do disco que hoje em dia poderia irritar muita gente. Nota-se que cada instrumento ou vocal em primeiro plano é privilegiado, como em uma foto com desfoque. O mono nesse disco é fantástico. Parece que foi todo gravado com um microfone só. Dá muita autenticidade ao todo! Eram tempos de gravação com a banda toda tocando ao mesmo tempo. Claro que havia discos nos quais os instrumentos eram gravados separadamente e a edição se encarregava do resto. A maioria, se descuidar. Mas assim como “The wildest!” de Louis Prima, toda banda ao mesmo tempo (ao vivo em estúdio, no jargão) é algo digno de nota.
A faixa de abertura “El cumbanchero” tem uma batida excelente e um solo de percussão do próprio Sabu Martinez que, se não arrancou o couro da mão do mesmo, chegou perto. Todas as faixas seguem a receita de muito atabaque e ritmo fazendo com que o ouvinte tenha vontade de mexer as cadeiras (eu fiquei só mexendo os pés...).
A segunda faixa, “Bilumba – Palo Congo” é um típico exemplo da santeria no conjunto da obra. Não só pela reza, mas como também pelo toque do atabaque.
O Palo, em Cuba e em outras regiões próximas, é a reunião das tradições e fés de origem Bantu. Algumas músicas chegam a ser hipnóticas tamanha repetição da percussão e de cânticos que fazem o acompanhamento.
Em resumo, é um disco interessante por que mais tarde esse ritmo será fonte de inspiração para outros ritmos latinos mais calientes e comerciais.
Veredito final: interessante, do ponto de vista antropológico. J
Próxima vítima: Miles Davis – Birth of the cool. O nome diz tudo. O nascimento do “cool”!

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